
Porquê assim ?
Por que razão tem de ser assim ?
Porquê o recurso constante ao silêncio ?
Não me parece que a melhor forma de terminar algo indesejável seja a tortura do desprezo.
Para mim é deveras assustador - não saber o que pensas, o que sentes, o que te inquieta, o que te deixa feliz, se sou inconveniente ou se faço bem o meu papel neste teatrinho mundano...
Incomoda-me estar constantemente na ignorância; não poder saber se, simplesmente, está tudo bem.
Sendo assim...
Devia ter ficado mais vezes calada, devia ter respeitado mais o teu espaço e deixar-te em paz. Mas pergunto-me se te peço o mundo, quando espero apenas que me digas umas (in)significantes palavras...
Isto, definitivamente, deixa-me estupefacta.
Tornou-se típico. Bastante normal. Banalidade pura. (O costume, portanto).
A situação em si aflige-me.
Mata-me por dentro, aos poucos, de modo a que eu sofra em cada suspiro. Apodrece o meu coração, em cada batimento.
Tudo isto porque fazes parte de mim mesmo sem saber se és a primeira ou a última peça que falta no meu dominó, ou mesmo sem saber se a vais por de pé ou deitá-la abaixo...